Devido ao sedentarismo e em grande parte à má postura anatômica, a musculatura abdominal do homem moderno é pouco solicitada no seu dia a dia, tornando-se então um grupamento muscular hipotônico e com pouca capacidade de sustentação (Geraldes, 1993). Isto além de trazer uma preocupação, pode se tornar um problema porque além de protegerem os orgãos internos, os músculos abdominais, contribuem com a musculatura da região lombar a alinhar e sustentar a coluna vertebral. Entre os muitos estudos, Rasch 1991, destaca que 80% da população mundial se recente de dores nas costas, principalmente na região lombar.
Baseado nestes dados, verificamos a necessidade e até mesmo, a obrigação de prescrever os estes exercícios em qualquer programa de treinamento, visando reforçar esta musculatura afim de que se possa obter uma melhora postural e estética. É importante também salientar que os exercícios localizados, no caso os abdominais, não reduzem o acúmulo de gordura concentrado nesta região, isto se faz, simuntâneamente, aliando uma dieta a um programa de exercícios, para promover um balanço calórico negativo (Norris, 1998).
Os músculos abdominais são em número de quatro, sendo três deles pares, retos abdominais, oblícuos internos e externos, e um ímpar, o transverso do abdomen, Rasch & Burke 1977.
Origem e inserções,direção das fibras e ações principais:
Reto Abdominal
Origem: Sínfise e cristas púbicas.
Inserção: Cartilagens costais da quinta, sexta e sétima costelas e processo xifóide do externo.
Direção das fibras: Vertical
Ação: Flexiona a coluna vertebral. Com a pelve fixa, o tórax se movimenta na direção da pelve; com o tórax fixo, a pelve se movimenta em direção ao tórax. Flexiona lateralmente a coluna vertebral e deprime as costelas na respiração forçada. Realiza a retroversão da pelve. Atua como suporte anterior das víceras abdominais contra as forças gravitacionais. Aumenta a pressão intra-abdominal durante esforços realizados pelos membros para aumentar, indiretamente, a estabilidade da coluna.
Oblíquo Externo
Fibras anteriores
Origem: Superfícies externas das costelas 5 à 8, interdigitando com os músculos serratil anterior e grande dorsal.
Inserção: Em uma aponeurose larga, plana, terminando na linha alba, numa rafe tendinosa, que se estende a partir do processo xifóide.
Direção das fibras: Oblíquas para baixo e para o meio.
Ação: Através da contração bilateral, o oblícuo externo flexiona a coluna vertebral, suporta e comprime as vísceras, deprime a caixa toráxica e auxilia na respiração. Através da contração unilateral, este músculo realiza rotação da coluna vertebral em conjunto com as fibras anteriores do oblíquo interno do lado oposto.
Fibras laterais
Origem: Superfície externa da nona costela, interdigitando com o serratil anterior, e superfícies externas das costelas 11 e 12, interdigitando com o grande dorsal.
Inserção: Na espinha ilíaca ântero-superior e tubérculo púbico e no lábio externo da metade anterior da crista ilíaca.
Direção das fibras: Oblíquas para baixo e para o meio.
Ação: Através da contração bilateral, este músculo flexiona a coluna lombar e realiza retroversão da pelve. Através de contração unilateral, este músculo, em conjunto com as fibras laterais do oblíquo interno do mesmo lado, flexiona lateralmente a coluna vertebral.
Músculos abdominais profundos
Oblíquo Interno
Fibras anteriores inferiores
Origem: Dois terços laterais do ligamento inguinal e curta inserção na crista ilíaca próxima a espinha ilíaca antera-superior.
Inserção: Na parte medial da linha pectínea e na linha alba, por meio de uma aponeurose.
Direção das fibras; Transversais, cruzando o abdome inferior.
Ação: Comprime e suporta as vísceras abdominais inferiores, juntamente com o transverso abdominal. Realiza a retroversão da pelve.
Fibras anteriores superiores
Origem; Terço anterior da linha intermédia da crista ilíaca.
Inserção: Linha alba.
Direção das fibras: Oblíquas para o meio e para cima.
Ação: Através da contração bilateral, esta porção do oblíquo interno flexiona a coluna vertebral, suporta e comprime as vísceras abdominais, deprime a caixa toráxica e auxilia na respiração. Através da contração unilateral, este músculo realiza rotação da coluna vertebral juntamente com as fibras anteriores do oblíquo externo do lado oposto.
Fibras laterais
Origem: Terço médio da linha intermédia da crista íliaca e fáscia toracolombar.
Inserção: Bordas inferiores das costelas 10, 11 e 12 e linha alba.
Direção das fibras: Oblíquas para cima e para o meio.
Ação: Através de contração bilateral, esta porção do oblíquo interno flexiona a coluna vertebral e deprime a caixa toráxica. Através de contração unilateral, flexiona lateralmente a coluna vertebral, juntamente com as fibras laterais do oblíquo externo do mesmo lado. Rotação da coluna em conjunto com as fibras anteriores do oblíquo externo do lado oposto.
Transverso abdominal
Origem: Superfícies internas das cartilagens das seis costelas inferiores interdigitando com o diafragma; fáscia toracolombar; porção anterior do lábio interno da crista ilíaca e terço lateral do ligamento inguinal.
Inserção: Linha alba, crista púbica e pécten do púbis.
Direção das fibras: Horizontais, superiormente, e oblíquas em relação ao púbis, inferiormente.
Ação: Achata a parede abdominal e comprime as vísceras. A porção superior ajuda a diminuir o ângulo infraesternal das costelas, como na expiração. Aumenta a estabilidade da coluna lombar através da fáscia toracolombar.
Fonte:
Novaes, J. S. & Vianna, J. M. Personal Training e condicionamento físico em academia. Rio de Janeiro: ed. Shape, 2003.
Campos, M. A. Exercícios Abdominais, uma abordagem prática e científica, Rio de Janeiro: ed Sprint, 2004.

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